"Coisa de Rico: Outras Histórias" - Michel Alcoforado

28 nov - 2026 • 20h Teatro Guararapes - Olinda, PE

Michel Alcoforado leva a antropologia para o palco em “Coisa de Rico: Outras Histórias”

Aula-espetáculo inspirada no formato de Ariano Suassuna, tem direção artística de Batman Zavareze. Monólogo populariza a experiência antropológica para atingir novos públicos


O que acontece quando um antropólogo decide ocupar um palco de teatro para falar sobre riqueza, desigualdade, comportamento, cultura e pertencimento? Em “Coisa de Rico: Outras Histórias”, Michel Alcoforado encontra uma resposta que não cabe exatamente nas categorias conhecidas. Não é palestra, não é uma peça de teatro convencional e tampouco uma aula nos moldes tradicionais. É uma aula-espetáculo.

A proposta nasce de um projeto maior: popularizar a antropologia e levar esse conhecimento a públicos que talvez não chegassem a ele por meio de um livro ou da sala de aula. No palco, Michel transforma pesquisas, histórias, conceitos e observações acumulados ao longo de sua trajetória em uma experiência que aproxima o pensamento antropológico do cotidiano, usando o humor como porta de entrada para discutir temas como riqueza, desigualdade, comportamento, cultura e pertencimento.

“Eu sou um cara das fronteiras. Não consigo me enquadrar e acho que a fronteira é um lugar confortável, potente e perigoso. É justamente esse lugar que me interessa. Se alguém do teatro vier me cobrar alguma coisa, eu posso dizer que sou antropólogo. Se um antropólogo vier me cobrar, eu digo que estava fazendo alguma coisa no teatro. É nessa fronteira que essa aula-espetáculo existe”, afirma Michel.

A principal referência para esse formato é Ariano Suassuna, cuja histórica experiência com as aulas-espetáculo reunia conhecimento, histórias, humor, música e teatro. A inspiração é assumida, mas “Coisa de Rico: Outras Histórias” constrói uma linguagem própria a partir do encontro entre a antropologia de Michel e o olhar artístico de Batman Zavareze.

“Quando a gente fala em aula-espetáculo, a gente fala de Suassuna. Ele é uma referência muito clara para mim. Existe uma dimensão de tradução que me interessa muito. Ao longo do espetáculo, cito vários intelectuais, alguns de forma explícita e outros que estão ali, atravessando o pensamento. Meu papel é, de alguma maneira, atravessar esses conhecimentos e levá-los para outros públicos”, diz.

Em 1995, quando ainda era estudante de design, Batman assistiu a uma aulaespetáculo de Suassuna, no Recife. A experiência mudou sua percepção sobre as fronteiras entre academia, teatro e show e voltou à sua memória quando conheceu o trabalho de Michel. “Suassuna transformava a pororoca da academia em arte, tudo junto e misturado. Ele pegava um assunto intelectualizado e transformava aquilo em duas horas de um espetáculo leve. Quando conheci o Michel, imediatamente me veio à cabeça aquela experiência”, conta.

Foi desse encontro entre duas perspectivas que nasceu a aula-espetáculo: de um lado, a preocupação de Michel em transmitir e popularizar o conhecimento antropológico; do outro, a busca de Batman por transformar esse universo em experiência cênica. O desafio era construir uma presença própria para o palco sem perder a maneira de Michel pensar e contar histórias.

A construção do “Michel” que o público encontra em cena envolveu corpo, voz, movimento, pausas e imagem. O figurino foi criado especialmente para o monólogo pelo estilista Antonio Castro, da Foz, como parte dessa construção visual. “Quando vi o Michel vestido para o espetáculo, pensei imediatamente em uma coisa: ele estava vestido de Michel Alcoforado”, diz Batman.

A dimensão corporal foi trabalhada com a preparadora corporal e de elenco Érika Montanheiro. Inicialmente resistente à ideia, por não se considerar ator, Michel incorporou ao processo uma nova relação com o corpo, o palco e a plateia, preservando sua espontaneidade e a forma não linear de construir pensamentos.

Embora o título remeta ao universo investigado em seu best-seller “Coisa de Rico”, o espetáculo amplia o campo de observação. As histórias sobre riqueza e elite aparecem ao lado de outras narrativas que ajudam a revelar como os códigos sociais organizam comportamentos e relações no Brasil.

“Vi no palco uma oportunidade de colocar as pessoas dentro de um projeto maior, que é divulgar a antropologia. Novos contextos pedem novas formas de transmitir uma mensagem e trazem novos públicos”, conta Michel.

Em “Coisa de Rico: Outras Histórias”, conceitos fundamentais da antropologia aparecem fora do vocabulário fechado da academia. Cultura, contexto, alteridade, busca por sentido e observação participante surgem a partir de histórias e situações cotidianas. A proposta não é fazer o público decorar conceitos ou nomes de teóricos, mas experimentar uma maneira de olhar para o mundo. Essa perspectiva dialoga também com uma tradição importante da antropologia brasileira, representada por Roberto DaMatta, uma das referências de Michel e no pensamento sobre a compreensão do Brasil.

“Eu quero expandir a ideia do que é um intelectual público, do que é teatro, do que é uma aula e até do que serve um livro. Esse é, para mim, o papel da antropologia: alargar os conceitos que temos sobre as coisas”, afirma.

O humor também atravessa o espetáculo como ferramenta para questionar desigualdades, privilégios e distinções sociais. Em “Coisa de Rico: Outras Histórias”, a resposta está em cena. “Boa parte da riqueza no Brasil se constrói sobre uma performance. E o único jeito de começar a destruir uma performance é rindo dela”, resume Michel Alcoforado.

Idealizado e conduzido por Michel Alcoforado, “Coisa de Rico: Outras Histórias” tem direção artística de Batman Zavareze, designer, artista visual e diretor de criação, responsável por turnês de artistas como Marisa Monte, Roberto Carlos e Ney Matogrosso, e projetos como as cerimônias da Olimpíada Rio 2016 e a abertura da COP28, em Dubai, entre outros. O roteiro foi desenvolvido em parceria com Afonso Capellaro, conhecido por trabalhos em produções como “Greg News”, “Que História É Essa, Porchat?”, “Esquenta!” e “Vídeo Show”. A realização é da Queremos!, plataforma e produtora responsável por alguns dos principais festivais e apresentações musicais do país.

Destaques na imprensa: Link
Fotos: Link 


Serviço

Data: 28 de novembro de 2026
Horário: 20h
Local: Teatro Guararapes Endereço: Centro de Convenções de Pernambuco – Av. Prof. Andrade Bezerra, s/n, Salgadinho – Olinda (PE)
Classificação: 16 anos

VALORES POR SETOR
Setores Meia Inteira
Balcão R$60,00 R$120,00
Plateia R$75,00 R$150,00
Balcão Especial R$90,00 R$180,00

Acessibilidade:  O Teatro Guararapes conta com infraestrutura completa de acessibilidade na área da plateia popular, incluindo banheiros adaptados, rampas de acesso, elevadores e sinalização em piso tátil. Também disponibiliza assentos destinados a pessoas com deficiência (PCD), pessoas com obesidade e acompanhantes, conforme mapeamento prévio nos bloqueios de venda.

 

Importante destacar que não há acessibilidade disponível na área do balcão.




Bilheteria Física

Centro de Convenções de Pernambuco
Av. Prof. Andrade Bezerra, s/n – Salgadinho, Olinda (PE) – CEP 53110-970

Horários de atendimento para compra presencial de ingressos:
- Segunda a sexta-feira:
das 9h às 17h.
- Sábados: atendimento somente em dias de evento, das 9h até o início/decorrer do evento.
- Domingos e feriados: atendimento apenas quando houver evento, com abertura da bilheteria 2 horas antes do início da programação.

 


Compra online


Cancelamento de pedidos pagos
Cancelamentos de pedidos serão aceitos até 7 dias após a compra, desde que a solicitação seja enviada até 48 horas antes do incio do evento.
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Edição de participantes
Você poderá editar o participante de um ingresso apenas 3 vez. Essa opção ficará disponível até 12 horas antes do início do evento.
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Meia entrada no Teatro Guararapes
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Responsável do evento

Estandarte Espetáculos e Eventos Ltda